quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Sueli Carneiro é empossada

Sueli Carneiro é um baluarte do Movimento de Mulheres Negras. Isso todo mundo já sabe - e quem não sabe precisa se informar melhor para ficar sabendo- mas ter isso reconhecido publicamente pela Ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR) foi uma coisa muito bacana. Esse termo engraçado, "notório saber" serve para reconhecer e atestar o altíssimo nível de conhecimento adquirido pela pessoa em questão.
Sueli é mulher negra, filósofa, do bem, doutora em educação pela USP e fundadora e diretora do Geledés, Instituto da Mulher Negra.

Breve biografia : " A mais velha de uma família de sete filhos cresceu no bairro da Lapa, região proletária de São Paulo. Filha de mãe costureira - com o primeiro grau-, e pai ferroviário- semi-analfabeto-, formou-se em filosofia na Universidade de São Paulo- USP e na mesma instituição, posteriormente, obteve o título de Doutora em Educação. Foi também na USP que conheceu aquele que seria seu futuro marido.

A década de 1980 foi determinante para o surgimento de novas organizações, assim como ampliar a participação das afrodescendentes em diferentes espaços institucionais. Foi nesse período, em 1982, que Sueli, em 1982, que ao lado de outras companheiras fundou o Coletivo de Mulheres Negras de São Paulo. Um ano depois era criado o Conselho Estadual da Condição Feminina (CECF/SP) cuja composição chamou atenção, pois nenhuma, dentre as 32 conselheiras, era negra. Diante disso, a radialista Marta Arruda iniciou um campanha que, associada à ação enérgica de algumas lideranças, entre elas Sueli, interferiu decisivamente para que a uma vaga fosse aberta a uma representante de mulheres negras.

A chegada de Sueli Carneiro e outras ativistas negras no corpo técnico do CECF/SP incentivaram o debate sobre a realidade das afrodescendentes e contribuiu para que a luta contra a opressão de raça fosse incorporada ao conjunto de ações do órgão, culminando na criação da Comissão da Mulher Negra.

Com as portas abertas por São Paulo, essas ações se propagaram nacionalmente, gerando o desenvolvimento de políticas na esfera federal. Em 1988, durante o Centenário da Abolição, o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher criou sob a coordenação de Sueli Carneiro, o Programa da Mulher Negra, que entre outras atividades, realizou em conjunto com a Comissão de Mulheres Negras do CECF/SP e a Comissão da Mulher Advogada da OAB São Paulo, o memorável Tribunal Winnie Mandela, o qual reuniu um grupo de jurados formado por personalidades da sociedade civil que julgou e condenou a discriminação contra as mulheres negras.

Meses anterior, nesse mesmo ano, antes de integrar o Conselho Nacional da dos Direitos da Mulher, em Brasília, Sueli ajudou a fundar a organização não governamental Geledés - Instituto da Mulher Negra, primeira organização negra e feminista de São Paulo.


O Instituto desenvolve um trabalho na área de saúde, política e jurídica de referência nacional, em relação à melhoria da situação geral do negro no país, em especial, da mulher negra. Sueli é também a responsável pelo Programa de Direitos Humanos - SOS Racismo, braço jurídico do Geledés, que oferece assistência legal gratuita a vítimas de discriminação racial em São Paulo. Além disso, promove campanhas de proteção da imagem do negro nos meios de comunicação e funciona como um centro de informações sobre o tema.

A atuação de Sulei colaborou de maneira decisiva para o estabelecimento de uma ponte entre as questões femininas e étnicas. E, como resultado de uma iniciativa do Geledés, em 1990, pela primeira vez no país, o Sistema Unificado de Saúde, SUS, do município de São Paulo passou a registrar em 1990 o quesito cor nas fichas de entrada do paciente.

Convidada pelo governo federal, através do Ministério da Justiça, Sueli colaborou, em 1996, para a redação do capítulo referente aos negros no Programa Nacional de Direitos Humanos, lançado em 1996. Um ano antes, 1995, já havia contribuido para a elaboração das metas do Grupo de Trabalho Interministerial que determinou políticas para a valorização da população negra no país.
Um importante reconhecimento a seu trabalho ocorreu em 2003, quando recebeu o Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, instituído pela Mesa do Senado Federal em 2001, como homenagem as mulheres brasileiras que tenham se destacado na defesa dos direitos femininos e em questões de gênero.
Sueli, que também é uma das fundadoras da Articulação de Mulheres negras Brasileiras, é hoje uma referência nacional quando se pensa a questão do feminismo e do racismo no país."



Além de tudo e não pouca coisa...rs Sueli é minha tia de coração, já que desde sempre, ela e minha mãe andavam por aí tramando derrubar ditaduras, empoderar as mulheres, e pasme! Tirar as mulheres negras de sua "sub-condição" humana nessa nossa sociedade esbranquiçada e sim, racista!

A nomeação de conselheira de notório saber da Sueli no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. é só o reconhecimento público do trabalho desenvolvido e do conhecimento trabalhado, buscado e adquirido com muito ralo e garra pela nossa querida Su.

Boa notícia né?!

 

Ministra Eleonora empossa Sueli Carneiro como conselheira de notório saber do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher

ministra sueli
No ato de abertura do primeiro dia de reunião do CNDM, ministra dá posse também a conselheiras da sociedade civil e do governo federal. Eleonora Menicucci fala da previsão de aumento de recursos para a SPM e faz balanço dos seis meses de sua gestão

"Você fortalece e engrandece o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Para nós é um orgulho ter você como membro do CNDM pela sua militância e pela sua trajetória como pesquisadora", disse a ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), na abertura da 10ª reunião do CNDM, realizada na manhã desta terça-feira (04/09), em Brasília. Ela empossou a feminista negra Sueli Carneiro como conselheira de notório conhecimento, modalidade também ocupada pelas conselheiras Bethânia Ávila e Jacqueline Pitanguy.

Durante o ato foram empossadas as conselheiras substitutas, representantes do governo federal: Deise Benedito e Laissa Ferreira, titular e suplente pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, respectivamente; Fernanda Oliveira, titular pela Secretaria-Geral da Presidência da República; Laís Mendonça, suplente pela Casa Civil. As vagas da sociedade foram ocupadas pelas conselheiras Lúcia Rincón, da União Brasileira de Mulheres (UBM), e Sueli de Fátima Santos, da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad).

Em primeira mão, a ministra das Mulheres anunciou, para as conselheiras, o incremento de 19% do orçamento da SPM para o ano de 2013, passando de R$ 68 milhões para quase R$ 80 milhões. Ao lado da secretária-executiva da SPM, Lourdes Bandeira, a ministra apresentou o balanço dos seis meses de sua gestão na SPM, no período de fevereiro a agosto, destacando as políticas para as mulheres desenvolvidas em conjunto com a Casa Civil, 15 ministérios - Saúde, Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Desenvolvimento Agrário, da Justiça, Previdência Social, Minas e Energia, Integração Nacional, Ciência, Tecnologia e Inovação, Cultura, Meio Ambiente, Planejamento, Orçamento e Gestão, Assuntos Estratégicos, Relações Exteriores, Educação, Esportes e Trabalho –, e quatro Secretarias da Presidência da República: Igualdade Racial, Direitos Humanos, Comunicação Social e Secretaria-Geral.

Menicucci também fez um panorama dos fóruns internacionais que representou o Brasil, desde a sua posse em fevereiro passado, a exemplo das reuniões do Comitê da Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra as Mulheres (Cedaw), Comissão sobre a Situação da Mulher, Comissão Interamericana da Mulher, Comissão Econômica para América Latina e Caribe das Nações Unidas (Cepal) e Rio +20 – Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, entre outras.
No final da manhã, as secretárias de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves; de Avaliação de Políticas e Autonomia Econômica das Mulheres, Tatau Godinho; e de Articulação Institucional e Ações Temáticas, Vera Soares, demonstraram os levantamentos de suas áreas.

A 10ª reunião do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher prossegue até esta quarta-feira (05/09).
Cobertura on-line - A abertura da reunião teve transmissão ao vivo pela TV NBr e via web pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). A cobertura continua nas redes sociais da SPM: facebook/spmulheres e twitter/spmulheres.

Na quarta-feira (05/09), os trabalhos do CNDM poderão ser acompanhados pela internet, das 9h às 11h e das 14h30 às 16h30, no seguinte endereço: http://assiste.serpro.gov.br/mulheres/
10ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM)

Dias: 4 e 5 de setembro de 2012
Horário: das 9h às 17h30
Local: Auditório da SPM (Via N1 Leste s/nº, Pavilhão das Metas, Praça dos Três Poderes) – Brasília/DF
Comunicação Social
Secretaria de Políticas para as Mulheres – SPM
Presidência da República – PR

matéria retirada daqui:

Um comentário:

  1. Às vezes, notícias boas como essa são imprescindíveis, já que a barra, no geral, pesa tanto, que é fácil se afogar, se não existirem boias de qualidade à mão.

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